Robô humanoid quebra recorde mundial de meia-maratona em Pequim
No dia 19 de abril de 2026, durante a Beijing E-Town Half Marathon, um robô humanoid chamado Lightning completou os 21,1 km em 50 minutos e 26 segundos — quase sete minutos mais rápido que o recorde mundial humano de 57m20s, estabelecido pelo etíope Kibiwott Kandie em 2020.
O robô foi desenvolvido pela Honor, fabricante chinesa de smartphones. Suas pernas longas foram inspiradas em corredores de elite, e o sistema de refrigeração líquida dos motores é adaptado da tecnologia de refrigeração dos próprios smartphones da empresa. O resultado viralizou, mas especialistas alertam que o feito precisa ser visto com nuance.
Salto enorme em um ano
Na primeira edição da prova, em 2025, o robô vencedor levou mais de duas horas para completar o percurso, e pouquíssimas equipes conseguiram terminar. Este ano, mais de 100 equipes participaram (contra cerca de 20 no ano anterior), e várias completaram a prova. O avanço reflete progressos reais em eficiência energética, controle e design de locomoção bípede.
“Este ano, um campo muito maior viu muitas conclusões, e o robô mais rápido superou corredores humanos. Isso reflete avanços em eficiência energética, controle e morfologia”, explica Zhenyu Gan, professor assistente de engenharia na Syracuse University e diretor do Dynamic Locomotion and Robotics Lab.
Os limites do recorde
Apesar do impressionante tempo, há ressalvas importantes. Apenas 38% dos robôs corriam de forma autônoma — o restante era pilotado remotamente. Todos corriam em uma pista dedicada e previamente mapeada, com equipes de suporte acompanhando.
Durante a prova, o Lightning chegou a colidir com uma barreira, cair e esperar que os operadores o colocassem de pé novamente. O vídeo que viralizou mostra tanto a velocidade impressionante quanto essa limitação.
Rodney Brooks, professor emérito do MIT e cofundador da iRobot, foi mais direto: “É apenas uma manobra de marketing. Os robôs não corriam em nada parecido com condições humanas. Não há segurança, não há interação com pessoas reais, e o trajeto é todo pré-mapeado. Quantas pessoas de suporte cada robô tinha? Quantos veículos os acompanhavam? Pessoas simplesmente fazem uma maratona. Elas não sabem onde a pista está.”
O que isso significa para o futuro da robótica
Para Gan, a prova destaca que a robótica humanoid está avançando rapidamente em locomoção dinâmica para tarefas específicas, mas ainda há um longo caminho até performance robusta em cenários do dia a dia.
“Terrenos irregulares, obstáculos e fatores de segurança exigem avanços significativos em percepção e adaptabilidade”, observa. Na próxima década, ele projeta robôs humanoids em papéis bem definidos: inspeções industriais, logística e ambientes perigosos — onde as tarefas são repetíveis e estruturadas.
Contexto
O recorde humano de meia-maratona pertence a Kibiwott Kandie, que correu 57m20s em Valência em dezembro de 2020. A prova de robôs em Pequim é uma competição paralela, não uma corrida conjunta com atletas humanos.



